Salve Minha Vida
Capítulo 13

No dia seguinte, Steve voltou da delegacia.

Melany foi até ele.

_ Então Steve, o que eles disseram?

_ Encontram a ficha dele, mas... já se passou muito depois de que foi solto por isso pôde sair do Estado...mas como descobriu que estávamos aqui, eu não sei.

JC ouvia da porta da sala.

_ Steve!!!_ gritou ele.

Hillary percebeu o que JC ia fazer.

_ Não! Joshua, espera!_ ela correu até ele e segurou em seu braço tentando impedi-lo.

_ O que foi JC? _ perguntou ele.

_ Nada tio! Ele só estava preocupado!_ respondeu Hill, impedindo que JC falasse.

_ Vem Joshua! Eu quero falar com você!

JC engoliu seco mas respeitou a vontade de Hillary. Ela o levou para o quarto dele.

_ Joshua, o que você pretendia fazer?!

_ Dizer a eles que você vai comigo!

_ Você é louco?! Eu não disse que vou com você!

Um silêncio se fez.

_ Desculpa Hill...!_ disse ele abraçando-a ._ Você não imagina o que sinto quando imagino que esse estúpido, esse demônio pode fazer se te encontrar!

_ Eu sei, Joshua, mas não pode agir assim...! Vamos esperar meu tio tomar as providências, depois a gente vê...mas não vamos contar nada a ele, tá?

_ Como você quiser...

Steve esperou Hill sair do quarto para falar com JC.

_ JC, eu sei que vocês se gostam de verdade, mas não quero que ninguém mais a machuque!

_ Eu sei Steve! Não vou fazer nada contra ela! Nos gostamos de verdade! Não vou abandoná-la!

_ É exatamente o que eu ia pedir. Judy me contou o que está havendo e insistiu, portanto quero que fique o tempo que puder.

_ Certo! Obrigado Steve!

Ele somente assentiu com a cabeça e saiu.

JC não sabia o que fazer. Nem ele próprio acreditava no que havia proposto à Hillary. Mas era uma chance de ser feliz e não iria desperdiçá-la.

Os dias iam passando e Hillary tentava arrumar um jeito de convencer JC de que não poderia ir embora por motivos que ela não era capaz de explicar. Tinha de ficar e pronto. Apenas queria palavras que o fizessem entender que não podia deixar a casa dos tios por amor e consideração a eles, não mais. Afugentava qualquer hipótese de que os amava mais do que a JC.

Os dois ficavam juntos, na maior parte das vezes em silêncio. Mas faltava apenas um dia para irem embora e JC não agüentou. Era uma manhã ensolarada.

_ Hillary..._ ele batia à porta do quarto.

_ Entra..._ respondeu ela com os olhos vermelhos.

_ Então, o que decidiu?_ disse ele com um ar muito sério.

_ JC eu não posso deixar os meus tios...

_ E pode me deixar.

_ JC você não entende! É muito mais difícil ir embora do que deixar você ir....

Ela não deveria ter dito aquilo. Machucou JC muito mais do que poderia.

_ Certo, Hillary..._ ele deu de ombros.

_ Espera Joshua...

_ Eu entendi muito bem o que você quis dizer! Você já fez sua escolha.

_ JC me escuta!!!_ gritou ela._ É mais complicado do que você imagina! Entenda, eu ira prejudicar você! E se a imprensa descobrisse...? Não quer seu nome envolvido nessa confusão, quer?_ os argumentos faltavam.

JC sorriu irônico:

_ Eu quero você comigo não importa o que aconteça e você está preocupada com a imprensa???

_ Sim, já sofri demais e a última coisa que quero é me expor!

Ele não entendia mas a única coisa que Hillary queria era protegê-lo.. Pensou em sua condição e tocou o braço de JC de uma forma que ele nunca havia sentido. Olhou-o com serenidade.

_ Joshua, por favor não me odeie...você vai entender por que eu não vou com você... eu amo você, embora você não veja agora, mas eu juro que vai, acredita em mim!

_ Você está agindo como..._ ele ia dizer o nome mas desistiu, afinal Hill nada tinha a ver com seu passado.

_ Não quero que vá embora com raiva...quero apenas que confie em mim e entenda.

JC saiu sem dizer mais nada e foi ao seu quarto. Bateu a porta e encostou a cabeça nela.

_ JC o que houve?

_ Ela não quer vir comigo...

_JC acho que você está sendo egoísta...

_ Mas aconteceu de novo, Justin! E eu, como eu fico?

_ As condições dela são piores que a sua... aqui é o lugar dela, a família dela a abandonou ela não pode deixar quem a acolheu!

JC tentava entender mas jurou para si que nunca mais iria se permitir machucar daquela forma.

_ Hill! Você está aí?_ Melany batia à porta.

_ Sim tia...

_ Querida, seu tio e eu vamos ao advogado tentar resolver essa história e fazer com que Mitchel suma de uma vez. Seria importante que você fosse...

_ Tia, é tão essencial assim?

_ Não... na verdade só seria...

_ Não quero ir..._ interrompeu ela.

_ Está bem... fique com JC, ele vai sentir sua falta...

_ Eu sei.

Melany beijo-lhe a testa e a deixou.

_ Mãe eu não preciso ir, né?_ perguntou Judy.

_ Não, não precisa!

_ Então cadê o Jus?

_ Sei lá! Deve ter ido dar uma volta, andar à cavalo...

_ Vou atrás dele.

_ Não deixa Hill muito tempo com JC, hein...

_ Tá bem!_ riu Judy.

Ela ia andando pelo corredor quando JC a ouviu.

_ Ei Judy!

_ Eu?!

_ Onde cê vai?

_ Vou procurar o Jus.

_ Vou com você.

_ Vai indo que eu vou acordar a Hill então...

_ Já estou aqui..._ respondeu ela, aparecendo no corredor. Usava um vestido rosa bem claro de alcinhas finas e comprimento perto dos joelhos.

_ Então venha, vamos procurar o Jus...

_ Podem ir... eu preciso mesmo ficar só.

_ Hill, venha com a gente não é seguro que você fique aqui sozinha._ disse JC vendo que poderia ser uma forma dos dois se acertarem.

_ Tá tudo bem Joshua. Eu vou ficar bem...

_ Hill, vem com a gente! Se acontecer alguma coisa...

_ Não Ju. Vão procurar o Jus... ele deve estar se sentindo só..._ ela sorriu serenamente.

_ Já que você insiste... a gente laça o Jus bem rápido e já voltamos, certo?_ brincou Judy.

_ Tá..._ respondeu Hill.

JC olhou-a fundo nos olhos e sorriu. Em seguida deu de ombros contra a vontade embora soubesse que aquela não era uma boa hora de ficarem sozinhos depois de tudo o que havia sido dito.

Hill voltou ao seu quarto.

_Pode me levar pra onde você quiser, mas deixe-os em paz!!_ gritou ela.

_ Muito bem mocinha..._ disse Mitchel_ Espere que eles saiam e depois você virá comigo, certo?

Lágrimas escorriam pelo rosto delicado e sereno de Hill. Não deixaria que nada de ruim acontecesse a sua família ou a JC e Justin.

_ O que você quer de mim depois de tanto tempo...?

_ Depois de tudo o que eu passei naquele inferno preso, você tem a petulância de me perguntar o que eu faço aqui?? Quero você...

_ O que??!! Você acabou com a minha vida! Eu era uma menina seu estúpido!!

_ Já chega! Chega dessa choradeira! Você vem comigo agora!

Mitchel a agarrou pelo braço e abriu a porta violentamente e Hill a agarrou batendo-a no braço que a machucava. Ele caiu na terra firme, mas levantou-se rápido impedindo que Hill fugisse ou tentasse ligar pra alguém.

_ Pensa que só porque cresceu pode fugir assim de mim, é garotinha?? Pois saiba que eu nunca vou te deixar em paz..._ ameaçou ele agarrando-a pela cintura tentando beijá-la. A aparência tosca, sebosa daquela loirisse amarelada de Mitchel causava um asco imenso em Hill. Ela o empurrou com toda a força mas não conseguiu afastá-lo. Flexionou o joelho com dificuldade e o acertou nas partes baixas. Ele caiu para o lado e assim ela conseguiu correr.

Na sala, conseguiu pegar as chaves do carro e ir até ele. Deu a volta por toda a casa e ao alcançá-lo:

_ Agora você vai ficar bem quieta e vai fazer exatamente o que eu mandar, certo?_ Mitchel a pegou de surpresa tampando sua boca e empurrando para dentro do carro.

Ele ligou o automóvel e saiu em alta velocidade.

_ Aonde você está me levando??!!_ perguntou Hillary com a voz trêmula e assustada.

_ A um lugar que você adorar... _ respondeu colocando as mãos sob a saia do vestido dela com aquela malícia asquerosa.

Ela rejeitou o atrevimento mas aquela mão grosseira persistiu em invadi-la.

_ Nunca mais você vai me tocar seu maldito! Eu amo Joshua e você vai pro inferno!!!

Hillary tomou o volante virando em direção à ribanceira e deixando que o carro e a sua vida seguissem por ela.

_ Que barulho foi esse?_ perguntou JC.

_ Que barulho?_ perguntou Judy.

_ Não sei, não ouvi nada._ acrescentou Justin.

_ Estranho...

JC foi caminhando em direção ao aparador que dava para a estrada.

_ Ei!!! Venham aqui!!!_ gritou ele.

_ O que há com ele?_ brincou Judy.

_ Sei lá!

Os dois foram até JC.

_ AH meu Deus!!!

_ Temos que chamar alguém!

_ Vamos voltar pra casa._ falou Judy muito séria.

Ao entrarem:

_ Hill!!!_ chamou Judy.

Não obteve resposta.

_ Hillary! Vem cá, por favor! JC, vai lá, eu vou chamar a polícia, bombeiro, qualquer coisa.

JC foi até o quarto de Hillary e bateu na porta:

_ Hill! Hill, abre querida, não estou com raiva...

Sem obter resposta, ele entrou e viu que não havia ninguém. Tomou a camisola branca e sentiu seu perfume. Aos poucos foi notando os sinais de violência pelo quarto. Havia livros pelo chão, o tapete fora do lugar, e a parede marcada por batidas violentas da porta. JC estranhou e saiu ao jardim, vendo que o carro não estava e voltou à sala.

Correndo, deu de encontro com Jus.

_ O que aconteceu JC? Você demorou...

_ Jus..._ ele ofegava_ ela não está aqui!!_ pronunciando as palavras, as lágrimas começavam a escorrer pelo rosto.

_ Como não está?!! JC... _ Justin olhou assustado para o amigo e o puxou de volta à sala, onde Judy telefonava.

_ O que há com vocês??_ perguntou Judy, vendo a cara de medo dos dois.

JC não conseguia conter o choro que vinha aos poucos. Justin vendo a situação do amigo, disse:

_ Judy... a Hill não está no quarto...

O temor tomou conta dela. Empurrou o telefone contra Justin e foi em direção ao quarto. Viu o mesmo que JC e entrou em pânico. Tinha quase absoluta certeza de que Mitchel havia estado ali e o acidente de carro... poderia muito bem serem os dois... Ela correu de volta à sala gritando:

_ Justin, liga pra polícia agora!!! JC...

_ Não sei Judy, não sei! Mas... em que você está pensando??!!

_ Que aquele acidente pode ser...

_ NAAAAAAAAAAÃO!!! NÃO É JUSTO!!! NÃO PODE SER!!!

_Calma JC!! A gente não podia obrigá-la a vir conosco, lembra?! Ela não quis!!

_ JC, senta aí, não adianta, ainda temos que esperar!!_ tentava Jus acalmar o amigo, embora também estivesse em pânico. Fê-lo sentar e esperaram a polícia chegar.

Comprovaram o acidente. A perícia esteve pelo quarto, pela casa. Tomaram depoimento de todos. Houve necessidade de suborno para que a mídia não ficasse sabendo do envolvimento dos dois Nsyncers no caso, afinal de nada tinham culpa.

Culpa; foi o que tomou conta de JC por longos meses. Deveriam ter obrigado Hill a vir com eles. O caso não conseguiu esclarecer que Mitchel havia entrado no quarto dela e obrigado-a a fazer o que ele queria, caso contrário poderia fazer mal à alguém da família e principalmente a JC, de quem ele não havia gostado nem um pouco de ter visto com ela na cachoeira. Hillary sem muita escolha, decidiu poupar a família. Somente mais tarde, uma testemunha resolvera depor e afirmar que viu alguém entrando no quarto dos fundos, enquanto Hill ali estava, podendo tirar o peso dos ombros de JC e Judy.

A cerimônia de sepultamento ocorreu simples, como Hill sempre pedia. JC estava completamente sedado, assim como os tios de Jus.

Na última noite que os dois passaram na fazenda, JC virava-se na cama inquieto e sentia muito frio.

Não conseguindo dormir, levantou-se e começou a andar pela casa. E quando chegou à porta da cozinha lembrou-se da noite em que encontrou Hill. Respirou fundo e foi ao seu quarto. Estava tudo como ela deixara, ninguém tivera coragem de mexer ali. JC sentou-se sobre a cama tomando a camisola e novamente sentindo o perfume. Olhou em volta e viu a boneca de porcelana. Tomou-a e olhou com carinho.

_ Fique com ela.

_ Judy!

_ Desculpe, não queria te assustar...mas quero que fique. Era a de que ela mais gostava..._ sorriu e uma lágrima escorreu do rosto dela._ Anda, vamos dormir. Seu vôo sai cedo._ pediu ela estendendo-lhe a mão.

Ele voltou ao quarto sentindo-se mais tranqüilo. Guardou a boneca na mala e deitou-se e adormeceu.

_ O frio vai passar...eu prometo...Joshua, me desculpe, não queria que fosse assim, eu não sabia...entenda, por favor, me escuta...

"Eu estou ouvindo, um dia ele vai entender..."

Mas Hillary não ouvia o que o coração de Joshua dizia. E ela o abraçava e o aqueceu pelo resto da noite, fazendo-o dormir.

Salve Minha Vida