Voltando-se para frente, encontrou os olhos de Sarah o encarando de forma
aflitiva. Ela apertou rapidamente sua mão, a balançou.
Só então percebeu que o reverendo lhe perguntava algo.
- Nossa! Temos um noivo nervoso por aqqui! - mais risos entre os convidados
- Mas vamos novamente: Alexander McLean, é de livre e espontânea
vontade que deseja se casar com Sarah Martin?
Os olhos dela estavam marejados... Ele sonhara com aquele momento muitas vezes,
mas sem aquela dor que sentia.
- É... - ele pigarreou - Sim, é.
Sobre o altar, sua mãe parecia encará-lo com um misto de alivio
e de dúvida.
- E você, Sarah Martin. É de sua livree e espontânea vontade
que deseja se casar com Alexander James McLean?
Ela inspirou e suspirou como se necessitasse de mais fôlego que antes.
- Não.
Centenas de exclamações encheram o imenso templo protestante,
causando confusão, choque, comentários, risos... Tudo acontecia
ao mesmo tempo, de forma atordoante.
- Senhores, por favor, vamos manter a calma, por favor.. Silêncio, por
favor - o pastor tentava em vão fazer com que as pessoas se calassem
gesticulando como se pudesse ser suficiente. Mas, o que queria?? Aquilo era
um escândalo e aquela era a América.
Sarah estava paralisada com a boca aberta. A palavra "sim" parecia
entalada em sua mente, morando em alguma outra dimensão... mas definitivamente
não naquela.
Alexander James McLean não podia acreditar no que acabara de fazer.
Abaixou a cabeça, observou as mãos unidas. Trêmulo, levou
a mão de Sarah aos lábios com a mesma gentileza que a tirou de
dentre as suas.
- Sarah.. eu.... Não amo você... Eu....Me desculpe...- disse num
fio de voz
Metade dos convidados se levantou no momento em que o pai de Sarah desceu do
altar e a segurou no exato instante em que ela se preparava para arremessar
um arranjo de flores. Disputavam a melhor visão da cena.
- Me solta!!! - berrou ela. Seu olhar alternava entre a ira e a incompreensão,
o corpo sacudido por estranhos tremores. A expressão do rosto era indecifrável.
- Está louco, rapaz? - urrou o pai da noiva - que desatino é esse??
Alexander sentia todo seu corpo vibrar, o sangue ferver... Ignorou a pergunta.
Nada mais importava além do fato de que deveria sair dali imediatamente
mesmo que em algum pequeno ponto em sua cabeça algo lhe dissesse que
deveria se importar com Sarah que caíra em prantos enquanto seu pai a
tentava consolar.
- Não...Não faça isso comigo, Alex... Te imploro... - ela
tentava segurá-lo, mas ele apenas recuava lamentando-se - Não,
não tem problema...o reverendo começa novamente... Vem cá.
Vem cá, meu amor...
- Sarah, não faz isso, pelo amor de Deeus... - ele tentava não
olhar diretamente para os olhos suplicantes dela - por você mesma...
- NÃO FAZ ISSO VOCÊ!!! Por que, Alex...? Por que, meu amor? - ela
tentava ainda se desvencilhar dos braços de um parente que a tentava
arrastar.
Então como uma possessão sua expressão se petrificou como
que percebendo algo impensável.
- É... É por causa...por causa daquelaa vagabunda?
Imediatamente Sarah se levantou parecendo recobrar a dignidade. Limpou as lágrimas
rapidamente ignorando outras que caíam em profusão e molhou os
lábios com a língua. Quando falou sua voz não passava de
um sussurro.
- Onde ela está?? Onde está a vadia, AAlex?!
O vestido dela junto com as inúmeras anáguas farfalhavam enquanto
ela se virava procurando algo entre a multidão boquiaberta.
- Ela não está... - sorriu afetadamentte enquanto desabava outra
vez no chão parecendo aliviada e lhe estendia as mãos - ela se
foi, Alex...Venha...Pare com isso, ela foi embora, tenho certeza que agora você
consegue pensar melhor, não é?
- Vai ser melhor assim, Sarah... Eu.... sinto muito...não faz isso...
- pedia cada vez mais angustiado.
- NÃO!!! Não, meu amor... fica comigo.... fica comigo...
Denise McLean ainda pode dirigir um um último olhar ao filho. Perguntava
se ele tinha certeza daquela atitude insana.
Não..não tinha...
Não saberia dizer como mas deu mais alguns passos para trás, girou
nos calcanhares e correu até sair do templo tentando não pensar
nos gritos que ecoavam lá de dentro.
Olhou a sua volta procurando por ela. Tinha de pensar. Tinha de pensar rápido.
Tinha de pensar logo no que fazer antes que um batalhão de repórteres
viesse sobre ele como aves de rapina. Os poucos jornalistas que foram permitidos
participar da cerimônia não estavam em absoluto preparados para
aquilo. Continuou a correr então em busca de alguma saída longe
da multidão que preferiu o espetáculo de histeria da noiva.
Nunca na vida se sentira tão ridículo, infeliz, angustiado, insano,
desesperado, satisfeito, idiota... Por que estava fazendo aquilo? Porque estava
largando Sarah. Amara aquela mulher um dia... foram tão apaixonados...queriam
construir uma vida juntos...ele estava deixando aquilo tudo para trás...Pavor.
Todos os seus medos estavam diante dos seus olhos...todos os fantasmas de sua
mente o diziam para não fazer aquilo... Por Deus, estava se destruindo...
e corria...
Finalmente encontrou um muro que delimitava o final da propriedade... Quase
sem fôlego puxou um dos lados do portão antigo que rangeu alto
sob o seu próprio peso.
- Você demorou bastante.
Carolina parecia ter se materializado instantaneamente de detrás da parede.
Alex parou bruscamente tendo de recobrar o ar que lhe abandonara do susto que
levou.
- O quê?? - sem saber porquê, olhou paara trás e depois para
ela - o que é isso?
Mas que idiota! Que importava o que ela fazia ali? Aquela era Carolina e estava
na sua frente. Sentiu ganas de gargalhar de alívio Sentindo-se engasgado
com a própria alegria perguntou:
- Cadê Melanie?
Ela lhe estendeu a mão que segurava um chaveiro. Sua expressão
era séria. Gravemente séria.
- Tem uma moto parada no final da rua.. Melanie está no aeroporto internacional
indo embora pra bem longe daqui - e colocando a mão num dos bolsos tirou
um talão de passagem aérea - Faça o favor de trazê-la
de volta porque eu já estou cansada da sua idiotice. E da dela.
Alex leu o talão rapidamente não acreditando no que lia. Era uma
passagem da Lufthansa, de um vôo Atlata-Munique.
- Eu sei que você poderia facilmente ppegar um avião mais tarde...ou
amanhã e ir até ela... mas acho que suas chances de perdão
ficariam bastante reduzidas e...
- Não! Eu vou agora. Muito obrigado, CCarolina...Muito obrigado de verdade...
- ele tentou abraçá-la mas ela o impediu.
- Por favor, não - ele recuou compreenndendo: ela não acreditava
que ele pudesse fazer Melanie feliz depois de tudo que fizera. Nem ela, nem
ninguém.
- Tudo bem... Eu... agradeço de qualquuer forma - e com isso correu em
direção ao lugar que ela indicara. Num beco estava uma velha Harley.
Parecia que havia estado lá esperando por ele durante toda a sua vida.
Nenhum avião ia levar sua mulher embora.
Rapidamente colocou o capacete pendurado no guidon junto às luvas que
calçou de qualquer maneira.
- Uma última coisa - Carolina o alcanççou no momento em
que ele girava a chave na ignição, respirou profundamente e após
uma pausa quase infinita disse - Eu não devia estar te dizendo isso mas
Melanie...está esperando um bebê.
Sem querer ele deu uma arrancada, depois se virou para ela com uma expressão
de choque.
Sentiu a cabeça dar algumas voltas estranhas e apoiou o pé mais
firmemente no chão sentindo o coração bater ainda mais
depressa do que já estava, o que há alguns segundos julgava impossível.
- Ela está grávida?! - gritou para sobbrepor a voz ao barulho
do motor - Ela está grávida e ia tirar o meu filho de mim?!
Melanie estava grávida. Sim, agora correria mais com a moto, impediria
aquele maldito avião de decolar e esganaria aquela mulher.
- Não venha me dizer que não merecia!<
Não...Aquilo era um assunto completamente diferente. Não tinha
anda a ver se merecia ou não. Era seu direito saber.
Carolina manteve-se impassível diante do olhar de ira que ele lhe lançou
antes de dar partida na moto e sumir ao final do beco. Naquele momento torceu
para que o avião de Melanie já estivesse na metade do Oceano Atlântico.
As gotas grossas de chuva batiam no vidro do ônibus. Melanie encostou
a cabeça no acento e fechou o casaco em torno do pescoço para
espantar o imenso frio que sentia sob aquele ar refrigerado. Ou um frio que
vinha de dentro.
Observava a paisagem através da janela pretendendo gravar cada imagem,
cada detalhe Estado...daquele país. Seu pai sempre lhe dissera que aquele
era um país amaldiçoado... Talvez fosse verdade. Ali nascera o
homem que destruíra a seus sonhos, sua vida e seu coração.
Mas ainda sim queria gravar aqueles detalhes. Mais uma vez deixava toda uma
vida para trás. Mas de forma bem lenta.... o trânsito estava engarrafado.
Alex McLean passou quase correndo pelo saguão do aeroporto sem saber
direito como chegara até ali. Só sabia que tinha tomado os itinerários
mais absurdos pelo caminho, quase atropelara uma dúzia de pessoas, quase
havia sido esmagado por um trailler.... Mas chegara. E só havia uma palavra
em sua mente que se repetia centenas de vezes por minuto: Lufthansa. Lufthansa.
Lufthansa. Lufthansa...
Sim! Encontrara o maldito terminal. Checou no painel as decolagens e chegadas
dos vôos. Olhou o talão de reserva mais uma vez. Ela ainda não
havia partido. Foi impossível conter o riso. Um misto de alívio
e angústia. Passou a mão da cabeça se caminhando a passos
largos em direção à atendente ignorando completamente as
outras dezenas de pessoas que se apinhavam ao redor dos guichês.
- Senhorita! Senhorita!
- Senhor, por favor aguarde no final dda fila - soou a voz através do
alto falante embutido no vidro.
- Mas é uma emergência!
- Meu amigo! Todo mundo aqui têm uma eemergência - um homem pequeno
e muito gordo o empurrava para longe com seu corpo.
- Eu só quero saber sobre um vôo!
- Não diga - uma mulher resmungou ao ffundo.
- Ele vai decolar agora!! - gritou - aa minha...a minha.... a minha mulher está
naquele avião! - sem saber porque ele gargalhava de forma nervosa, as
palavras pareciam engasgadas, cuspidas, insanas.
- Na fila... o Sr. será atendido.
- Não!! Eu não tenho tempo!
As pessoas começaram a vociferar frases de protestos de forma difusa.
- Cara!! Eu quero ser atendido, se me der licença. O meu vôo já
foi suspenso duas vezes!!
- Por favor! - Alex batia com o punho e o talão contra o vidro ignorando
tudo o que se passasse ao seu redor - Por favor... Eu suplico. Preciso pedir
perdão a minha mulher...
Algumas pessoas se calaram. Outras resolveram furar a fila também.
- Por favor...
- Serei obrigada a chamar a segurança,, senhor...
Mas mal foi necessário ela terminar a frase. Dois homens corpulentos
afastaram AJ do terminal aéreo
Ele olhou em volta lançando alguns palavrões... O que faria?
- Tá bom! Me solta! Me solta! - ele see debatia em vão.
- Tem de entrar na fila se quiser ser atendido, senhor...Já dissemos
- um dos seguranças explicou calmamente.
- Se me soltarem eu entro na fila! Quee inferno!
- Podem soltá-lo ele está comigo. É meeu primo! - respirou
procurando manter a calma - fica frio Bone...
Os funcionários começaram a soltá-lo com certa desconfiança...
mas Alex não se debatia mais.
- Ela não está nesse vôo...
- O que é que você está fazendo aqui, idiota!? - rosnou.
- O mesmo que você...
Alex pareceu aturdido e sem ação por alguns segundos. Depois pulou
na gola do terno de Howie. Mais uma vez os seguranças o agarraram pelo
braço com extrema força.
- Você não vai armar um escândalo aquii no meio do saguão
do aeroporto, senhor, vai? - um dos grandalhões perguntou.
Ele respirava descompassadamente.. sentia ódio...sentia ciúmes...
- Vamos para um lugar mais calmo e eu te explico tudo, cara..mas seja rápido
porque não temos muito tempo pra brigar.
Mclean trincou os dentes, puxou com força o braço e o homem o
soltou. Seguiu então Howie que já quase desaparecia por dentre
as pessoas. Alguns passantes começaram também a dispersar não
mais atraídos pela pequena confusão e novamente preocupados com
suas próprias vidas.
- Ela esteve aqui à uma hora atrás maiis ou menos - a atendente
explicava mansamente - mas preferiu transferir a passagem para algum aeroporto
na Geórgia.
- Mas qual aeroporto??
A mulher atravessou a pequena recepção da companhia a foi para
detrás de um grande balcão de madeira clara. Fixou o olhar no
monitor a sua frente e digitou algo no teclado.
- Ainda não sabemos dizer.. Ela não deeu entrada em nenhum embarque
ou ligou confirmando reserva. Não podemos saber...
- Inferno! - blasfemou Alex batendo ass mãos espalmadas sobre o balcão.
Por aqueles rápidos segundos fitara a mulher e seu computador esperançoso
de receber uma boa notícia.
- Não seja idiota, Alex...
- Pro inferno você também - gritou. - Você é um imenso
babaca, McLean. Voccê me deixa puto! - disse Howie abandonando completamente
o sarcasmo - você não quis me ouvir quando eu disse para desistir
dessa idéia estúpida de casamento... Você acha que alguém
está interessado em ver vocês juntos?? Ninguém! Querem mais
é que Melanie vá embora pra bem longe da sua presença...
A sua presença é nociva. É fétida!
- Me poupa dos seus discursos idiotas.. E eu já disse hoje para você
manter a sua boca bem fechada.
Howie gargalhou.
- Mas me responda uma coisa... ela nãoo falou como ia para o aeroporto..
de táxi, ônibus...
- Talvez tenha ido a pé...
AJ lançou mais um olhar de ódio a Howie, depois voltou-se novamente
para a recepcionista.
- Não...Não! Espera. Um dos passageiroos sugeriu que ela pegasse
um ônibus na rodoviária. Agora eu me lembro!
- Ótimo!!
- Você não vai conseguir chegar a temppo... não percebe
o temporal lá fora?
- A Sra. tem uma lista de saída de vôoos para Munique de todos
os aeroportos da Geórgia?
- Tenho..tenho sim...Vou imprimir paraa o Sr.
- Obrigado - ele se esforçava para serr educado.
- Eu pretendo viajar amanhã.. Já descoobri exatamente onde ela
está...Nós dois vamos conversar... E eu acho que ela vai voltar.
- Já chega Howie!
- Todo esse desespero pra encontrá-la ainda hoje... está com medo
de ser imperdoável.
Ele não respondeu.
- E é mesmo imperdoável. Ela não tem nnenhum motivo para
te dar uma chance.
Alex riu.
- Ha! Tem um bom motivo.. Ela está espperando um filho meu!
- Ha! Sou eu quem digo... Um filho seuu... - riu - Acho melhor você tirar
suas conclusões com mais calma.
O outro se aproximou de Howie devagar com um dedo em riste.
- Cale a sua boca agora, Dorough... ouu vou terminar o que devia ter feito essa
manhã...
- Você age como um menino valentão, AJJ... - constatou sério
o encarando - não sabe o que quer...não se importa com ninguém..e
acha que me bater vai adiantar em alguma coisa. Preste atenção
aos fatos que você mesmo criou, meu amigo... Ela estava comigo. Foi em
mim que ela confiou... Foi a mim que ela procurou quando achava que não
havia mais ninguém.. A mim... E você sabe disso... E sabendo disso...Como
pode ter tanta certeza de que esse filho é seu?
Num impulso cego, McLean acertou um soco absurdamente forte no queixo do amigo.
Howie caiu no chão e levou a mão à boca. Observou longamente
os dedos cheios de sangue. Fechou os olhos e abriu. Tudo girava.
Uns segundos se passaram e os únicos sons da sala passaram a ser os de
suas respirações entrecortadas.
- Eu a amo... Amo... E não me importo com o que você faça...se
a fizer feliz.
Alex se jogou no chão junto a Howie. Passou as mão pela cabeça
como se isso pudesse arrumar a confusão. Tirou o fraque. Suava. Estava
trêmulo, arrependido de tudo, arrependido de ser quem era, de ferir as
pessoas, de nunca fazer o que era certo...
Abraçou Howie que, atordoado, tentava se apoiar no chão.
- Me perdoe, meu amigo... me perdoe. MMe perdoe meu irmão. Gelo!! Traga
gelo!! Um médico! - gritou para uma outra atendente de óculos
imensos que assistia a cena toda em choque - rápido! - com alguma lentidão
ela se moveu.
- Está tudo bem. Vai logo.
- Não...Não vou. Você a merece... Vocêê é
bom com ela.. será um ótimo pai, cara..você a merece.
- O...o..ge..gelo - a funcionária da eempresa aérea estendeu lhes
um pequeno balde de gelo e uma toalha - os dois mal perceberam.
- Eu não tenho certeza se ela pode gosstar me mim... Acho que não...
- Você podem tentar! Além do mais com a criança...
- E eu menti - admitiu com o que pareccia ser um sorriso - o bebê é
seu, imbecil...
- Meu...?
- É...Seu.. - com dificuldade ele se ssentou segurando o queixo com uma
mão e a toalha com gelo na outra - Você quebrou me maxilar... me
convide pro charuto, ao menos.
Alex ficou parado durante algum tempo...como se as notícias e acontecimentos
estivessem sendo extremamente complicados de serem digeridos. De repente riu..depois
deu uma gargalhada...e mais outra..
- EU VOU TER UM FILHO!! - se levantou cambaleando - VOU TER UM FILHO HOWIE!
Puxou a garota que ainda segurava o balde de gelo.
- Um filho...! Eu nem acredito... Malddito mentiroso! Quase morri agora. Onde..?
Onde está a listagem que eu pedi - bateu no balcão soltando a
outra atendente - hey! hey! onde está o que eu pedi?! Alô!! Alô,
alguém!!
Por detrás do balcão surgiu uma mão feminina receosa com
uma lista de duas páginas na mão.
Melanie certamente não era uma das pessoas mais racionais que Alexander
conhecera, mas certamente não era a mais burra. Não iria viajar
horas a fio para chegar à Orlando, Jacksonville...Talvez Savanna, Mobile...Não,
Mobile também não...Restavam então Savannah e Montgomery.
Lados completamente opostos. Precisava saber para qual deles seguir.
Olhou para o papel na sua mão, depois inclinou a cabeça para cima
afim de ler os painéis das companhias rodoviárias. Olhou mais
uma vez para a lista...depois para o painel. De repente uma pessoa uniformizada
passou na sua frente.
- Sr, sr... por favor - ele se segurouu no agasalho do funcionário -
Onde eu posso saber sobre os últimos ônibus que saíram daqui
pra Savanah ou Montgomery?
O homem bufou.
- Olha... pergunte pra alguém dos guicchês. Eu só carrego
malas.
- Ok.. obrigado por nada, idiota - praaguejou entre os dentes.
Foi até um dos guichês que indicavam saídas para Savanah
da primeira companhia que viu pela frente. O último ônibus já
estava à duas horas e meia. Não...era muito tempo. Na verdade
não sabia dizer ao certo quanto tempo exatamente já havia se passado.
Correu até outra companhia que viajava para Savanah. Nada também.
E mais outra...
- Melanie... Melanie Santana...
- Desculpe, senhor... mas nós não regiistramos o nome dos passageiros
nesse tipo de viagem.
Como não? Aquele era um país de atentados terroristas e eles não
registravam os passageiros??
- ... para Montgomery! O último ônibuss que saiu!
- Não... o primeiro ônibus de hoje só sai às vinte
horas de hoje, senhor, me desculpe.
Subiu as escadas rolantes... começou a tentar companhias que faziam escalas...
- Santana.
- Como, senhor?
- Santana! O último ônibus, senhorita..
- Não..não senhor, infelizmente não tiivemos nenhum passageiro
com esse nome.
- Vocês não tem uma central não? De toodas as companhias...?
De todos os passageiros..?
A homem olhou para os lados preocupado e chegou bem perto do vidro.
- FBI? - sussurrou.
A rodoviária não estava cheia... mas parecia claustrofóbica.
Ia ter um colapso nervoso. Percebeu que já havia passado cinco vezes
por um mesmo lugar... Parecia que ninguém estava disposto a ajudá-lo...nenhum
funcionário. Pareciam todos de má vontade... Parecia impossível
encontrá-la...
- Santana... com um "n" só -- talvez fosse desesperança.
- Não, senhor... talvez tenha sido de outra companhia.
Talvez fosse um castigo.
- Por exemplo...? - perguntou encostanndo a testa no vidro do guichê.
Estava perdendo as forças...
- Tem uma lá embaixo... no final do coorredor principal, para Montgomery.
O senhor não disse Montgomery ou Savanah?
- Eu já fui lá...eles não registram oss passageiros.
- Ah - a jovem suspirou - Então lamentto, senhor...lamento muito...
- Tudo bem - ele se esforçou para retrribuir a solidariedade da garota.
Começou a se afastar.
- Desculpe...É que... o senhor não podderia me dar um autógrafo...?
- ela sorriu sem graça - pra minha irmã mais velha.
Sim... Era um castigo e merecia aquilo. Desceu novamente a escada rolante
e foi caminhando até o final do corredor. Parou em frente ao terminal
de uma companhia...Era uma das que o horário coincidia com o possível
horário de saída do ônibus. Mas... de nada mais adiantava
ficar andando de um lado para o outro. O fato é que perdera a sua oportunidade
de tentar consertar aquele imenso erro. Nem ao menos sabia o número do
celular dela...talvez nunca nem chegara a anotá-lo na sua agenda. Idiota.
Também de que adiantaria...estava sem seu telefone, sem moedas, sem carteira...sem
nada. Voltou a andar... na plataforma um ônibus escrito "Montgomery
18:00" partia. O lugar ficou praticamente deserto. Se sentou num banco.
O vento fazia com que a chuva fosse bem em sua direção, mas estava
anestesiado demais para sentir frio. Engraçado..já estivera no
fundo do poço antes... mas nunca se acostumava com a sensação,
pensou rindo de si mesmo. Um bobo. Um palhaço desastrado. Nada de casamento...nada
de calcinhas penduradas no box, nada de sapos, nada de filhos...nada de perdão.
- ...não é?
Era uma merda ser ele... queria morrer.
- ...não é, rapaz?
Uma voz ao longe o fez voltar a realidade. Mas o que era aquilo?? Não
se podia ao menos se odiar em paz??
- O quê é?
- Não está procurando um resfriado, nãão é,
rapaz?
Uma mulher negra e imensa estava quase sobre ele com uma sombrinha na mão.
O uniforme branco e azul a identificava como uma funcionária da companhia.
- Não..não... - procurou novamente sorrrir com cordialidade -
na verdade estou procurando uma garota...
- Uma garota? Vocês combinaram de se eencontrar aqui?
- Não... esquece.
- Você é da televisão, não é?
Desta vez o sorriso foi inevitável... aquela parecia uma situação
irreal. Insólita.
- Sou sim...Eu canto.
- Ah! Eu sabia! Meu nome é Guerthie Kaaye - ela lhe estendeu a mão
- despachante.
- Sei... McLean.. - ele lhe apertou a mão - Alexander Mclean. Guerthie..
Você não tem um cigarro?
- Não.. eu não fumo. Também acho que vvocê não
ia conseguir fumar nessa chuva garoto, venha..saia daí... ou não
vai mais conseguir cantar mais.
Se levantou logo sendo empurrado pela tal mulher...
- Procurando uma garota na chuva... Voocês artistas são bem estranhos
mesmo. Ela deve estar lá dentro.
- Não..não está... Acho que ela pegou o ônibus pra
Montgomery antes desse aí que saiu.
- Minha nossa - pararam perto de um caafé. Havia um cheiro adocicado
de baunilha e capuccino no ar levado por uma espessa fumaça - Ela está
enrascada, então. Tá tudo parado...esse trânsito horrendo...Veja
só você tá bem ensopado.
Não tinha importância. Só queria voltar para a Flórida.
Estava decidido: apoiaria Howard na sua idéia de ficar com Melanie, era
o melhor para todos. Combinariam horários para que ele pudesse ao menos
ver o bebê, acompanhar ele crescer... Mel não podia impedi-lo de
ver seu filho crescer...não podia...
- Hey! Saiu da ar de novo é? Daqui a ppouco chega outro ônibus
pra Montgomery. Talvez sua garota resolva ir nele. Toma aí um expresso.
- Não precisa! - protestou envergonhaddo.
- Eu insisto, filho.
Dissoluto, Alex pegou a xícara e tomou um gole de café quente...quase
reconfortante.
- Ela não vai no próximo ônibus não.... Seria muito
bom! Uma pena que isso não vai acontecer
- Que nada...muita gente perde o ônibuus. Hoje uma jovem quase perdeu
o dela. Tive de mandar o motorista esperar porque ele ia embora... Sabe..eu
até acho que ela era artista também..não sei direito. É
que eu não vejo muito a TV, sabe...
- Só carrega malas...
- Isso aí... - Ghertie riu e sentou-see num dos bancos do café,
fechou finalmente o guarda-chuvas que era quase tão grande quanto ela
e obrigou McLean a se sentar no banco ao lado - só carrego malas... Mas
sou feliz, sabe. A tal moça artista é que não parecia feliz,
coitada. Até se esforçou pra me dizer obrigada..mas estava de
um mal humor...mas bonita, hein...parecia uma noiva.
Alex cuspiu o café e começou a tossir descontroladamente.
Rapidamente Ghertie saltou do banco e levantou seus braços ao mesmo tempo
que lhe dava tapas nas costas.
- Vai com calma aí...
- Uma noiva, Ghertie...?!
Ele já estava de pé, se recobrando das tosses quando a mulher
o largou.
- É...dessas de bolo.
- É a minha garota, Ghertie!! Sim! É cclaro!! Ela também
aparece na TV!! É ela! - começou a andar de um lado para o outro
sem saber para onde ir.
- Calma, filho! Se for ela então está longe já!
Alex parou e a segurou pelos ombros.
- Ghertie - ele inspirou precisando dee ar - como ela era?
- Era... Era... Não lembro bem... p;
- Faz um esforço...por favor...
- Era..cumprida, da cor...vestida de nnoiva.. era da TV...
- Sim...Sim...
- Ah!! Era aquela garota dos livros, rrapaz!!
- A garota dos livros?? Ha! Ha! - Alexx abraçou a velha funcionária
quase em desespero. Tomou sua mão e pôs-se a beijá-la enquanto
se afastava.
- Eu te adoro, Ghertie! Te adoro! Obriigado! Muito Obrigado!!
- Vai, vai! Ela deve estar presa nessee trânsito. A polícia fica
em cima.. vai vai! E ainda dirigem bêbados
Alex já estava longe.
- Kaye! Está louca..deu pra falar soziinha?
- Nada...um rapaz aqui que saiu feliz.... Ainda bem que esse é o último
ônibus. Minhas costas tão moídas! McLean...gostei desse
rapaz! Gostei mesmo...
Era difícil pilotar na chuva... O chão estava escorregadio.
O capacete molhado incomodava... Escurecia muito rápido...mas certamente
aquilo era o de menos. Sabia que ia encontrá-la. Sabia sem saber como
ou porque. Mas sentia como se estivesse finalmente fazendo algo certo... e não
ia estragar tudo daquela vez.
Em pouco tempo alcançou o ônibus que vira sair da rodoviária.
Teria de conseguir alcançar o anterior... Não costumava ser muito
assíduo em igrejas, mas naquele momento pediu para, que seu houvesse
um deus ainda olhando para ele, que o ajudasse naquele momento. Fez promessas.
Fez preces. Amaldiçoou todo o continente. Por que aquele temporal? Que
coisa desnecessária!
Então a fila parou. Apoiou-se no chão o mais firme que podia.
Aqueles não eram sapatos para pilotar motocicletas naquele tempo. Escorregava...
a fila não andava. Inclinou-se para ver mais a frente. Sim... a saída
da cidade estava completamente parada. Os pneus deslizaram perigosamente na
pista quando fez uma manobra para ultrapassar a caminhonete a sua frente. Saiu
cortando todos os carros, ônibus, caminhões..qualquer veículo
que lhe desse espaço para ser ultrapassado. Estava enlouquecido, ensandecido...
A idéia de que Melanie estivesse indo embora para a Europa, para sabe-se-lá
onde... é claro que ela iria desaparecer. Não conhecia nenhum
amigo dela na Alemanha. Nem sabia que ela conhecia alguém na Alemanha.
Era um idiota... A mulher estava o tempo todo alí junto dele... e ele
nem ao menos lhe perguntara o número do celular. Nunca puxara uma conversa.
Nunca nada.
A sua frente a freeway bifurcava fazendo com que o tráfego passasse a
ser normal. Mal. Mal. Muito mal! Montgomery dizia a placa azul da saída.
O ônibus devia estar a milhas de distância já! Acelerou ainda
mais ignorando qualquer sinalização... Mas...poderia ser pior...ela
podia ter pego um trem! Abençoou o fato dela não ter pensado em
pegar um trem. Sim! Existia um Deus olhando para ele!! O trânsito estava
novamente parado... O único problema foi que à um quilômetro
dali havia um grupo de policiais rodoviários.
Não havia ninguém sentado ao seu lado. Melhor assim. Sua cabeça
já estava suficientemente cheia para ter de se esquivar de um possível
conversa. Por que não pegara um trem?? Que idiota! Um trem, chegaria
em Montgomery mil vezes mais rápido... Se bem que a idéia era
realmente não chegar lá muito rápido.. tinha de dar tempo
suficiente para aquela tempestade passar pelo país. Pegaria então
um avião para Munique e ficaria no convento de uma freira amiga do seu
querido padre Stanley. Sim..seria bom. Ninguém poderia encontrá-la.
Estariam seguros, ela e o seu filho. Teria Alex para sempre junto dela. Sorriu
mordendo os lábios e passou a mão no ventre por dentro do sobretudo.
Alex, seu amor...seu sonho insano...seu delírio... Um filho dele já
era mais do que ela sempre sonhou. Era um presente inacreditável após
toda aquela dor.
Mas se lembrou de que ele não estaria lá para ver a criança
nascer...crescer..não ficaria ao lado dela olhando para o pequeno como
dois idiotas. Não... Aquilo era certamente pedir muito.. Bocejou. Por
que não pegara um trem mesmo? De repente tudo foi ficando meio confuso,
etéreo...Odiava engarrafamentos. Adormeceu.
Maldita patrulha! E estava sem documentos numa estrada federal... o que era
aquilo? Um complô do destino contra ele? Olhou para o alto. Noite. As
gotas bateram fracas no visor. Tirou o capacete. Os policiais estavam a vários
metros parando alguns veículos, pedindo identificações.
Sim...um louco encharcado, vestido como um executivo falido, coberto de tatuagens...
era mais do que suspeito.
- Ok! Eu vou desistir, está me ouvindoo? - falou para o nada - Eu já
entendi, Deus! Você me odeia!! O Senhor está certo! Mas eu amo
essa mulher, está me ouvindo!? Eu não tenho mais medo!! TÁ
ME OUVINDO!!
Um garoto num carro ao lado o olhava um tanto assustado.
Ele desligou a moto. Bateu a roupa e tentou desfazer aquele terrível
nó na gravata... com dificuldade, após algum tempo conseguiu afrouxá-lo.
Bufou. Desmontou e olhou para os lados. Viu o garoto.
- É...é isso aí amigo! Os adultos não fazem sentido
- a que parecia ser a mãe dele se inclinou irritada para ver o que acontecia
lá fora e subiu o vidro do carro - e nunca cresça! - tentou gritar
ainda para ele.
Mais uma vez desanimado foi caminhando com a moto até o acostamento.
A polícia ia pará-lo, pedir documentos que ele não tinha...seria
detido. Era o tipo de situação que, de tão trágica,
o fazia rir.
À propósito, transar numa moto é muito desconfortável!
Você anda vendo clips do Aerosmith demais.
- Eles não transaram na moto!
- Eles...? Que eu saiba a história se trata de você e eu
Belo príncipe havia se saído. Carolina ainda dando apoio às
idéias extravagantes da amiga...As mulheres já eram loucas...
mulheres escritoras eram piores!... Harley... Belo sapo isso sim... Detido pela
polícia rodoviária numa freeway como um completo indigente.
impossível conceber uma situação mais patética.
Já imaginava até as maravilhosas manchetes do dia seguinte: Cantor
é preso após fugir do próprio casamento. Eles estavam perto...Ia
se entregar.
Então, num instante que durou uma fração de minuto, uma
dor estranha e fria se alastrou por todo seu corpo e isso o fez parar. Piscou
diversas vezes como se isso o pudesse fazer enxergar melhor através da
nuvem de chuva. Sim...ótimo momento para uma síncope: o ônibus
azul e branco acabara de parar na barreira policial.
Se abaixou rápido e começou a caminhar puxando a Harley pelo banco
até cair no final da estrada, no meio de um monte de lama e capim. Largou
a moto, fechou os olhos e uniu toda a crença que pode naquele momento
para uma última promessa: se conseguisse sair daquela, pararia de beber
e fumar...
Ok, pararia só de fumar e beberia de vez em quando.
- ... foi isso?! - foi sussurrado em aalgum lugar.
- Hey!!
Ao longe soou uma espécie de tambor.
- ...um absurdo!
Surdo? Quem estava surdo?
Mais batidas.
- um...ônibus..fora....
- ....anie!!!
Se mexeu um pouco...uma sensação ruim...
- ....pare o ônibus!!! Sou eu!!!
Ela abriu os olhos assustada. Colocou a mão no coração.
O que diabos estava acontecendo??
Virou-se e distinguiu uma senhora de pé no corredor do ônibus.
Gesticulava freneticamente sob a luz amarelada do seu leito. Bocejou e os ouvidos
desobstruíram.
- Melanie!!!!
Ela deu um salto do banco. Mais batidas no ônibus... Não, não...
era mentira! Estava louca! Algumas grávidas tinham alucinações...
- O que está havendo lá fora?? - perguuntou à senhora.
- Tem um maluco gritando...correndo attrás do ônibus...
Umas crianças se espremiam numa das janelas assustadas e curiosas.
- Melanie!!!
- ...acelera o ônibus, motorista! Essee homem está louco!!
Melanie se debruçou na sua janela e o viu. Mas o seu cérebro parecia
se recusar a acreditar que lá em baixo Alexander McLean corria ensopado
e enlameado atrás do ônibus, batendo no veículo como um
doido varrido. Não.... era alguém muito parecido com ele, até
as roupas eram pareci...
- NÃO!!!! PARE O ÔNIBUS!!! MOTORISTA!!!!!
Levantou se embolando nas saias do vestido, saiu desesperada pelo corredor.
Sim!! Sim!! Era ele!! Por Deus!! Era ele!! Sua vista se encheu de pontos brilhantes
e mesmo zonza ela continuou. O ônibus desacelerou até parar completamente.
- EU SOU MELANIE!! - ela ainda gritou enquanto se escorava nos bancos.
- ME PERDOA!! EU TE AMO!!
As frases entraram por alguma janela aberta...
Ela desceu as escadas do corredor sendo tomada por uma agonia, ou uma alegria,
uma incredulidade, uma raiva estranha... não havia definição.
Ele estava parado na porta e Melanie simplesmente não conseguia se mover.
Por que ele estava fazendo aquilo com ela novamente...aquela era uma brincadeira
de extremo mal gosto.. Dizer que a amava. Então fora tudo um pesadelo??
- A senhorita conhece o maluco? - pergguntou o motorista.
Ela olhou bem pro homem... depois se jogou em cima do painel querendo apertar
logo o botão de abrir a porta
- Abre logo!! Eu conheço..eu conheço!!!
A porta se abriu e ela desceu correndo as escadas. No último degrau parou
ainda. Era impossível... Não sabia agir quando acontecia uma coisa
que queria muito...Alex estava ali parado, com os olhos pedindo mil desculpas...
fazendo mil pedidos, mil perguntas, mil confissões... Mas todos os pedidos
de desculpa ensaiados exaustivamente na sua cabeça durante todo o trajeto,
as palavras certas e bonitas...não saiam
- ...te amo - conseguiu sussurrar.
> Simplesmente pulou em cima dele passando as pernas ao redor da sua cintura
desajeitadamente, distribuindo dezenas de beijos pelo seu rosto.
- E-eu sei...eu sei...não p-precisa dii..izer nada...não precisa...você
veio! Você veio! - repetia atropelando todas as palavras que se misturavam
com o barulho da água.
Ele lhe tirava os cabelos que lhe grudavam no rosto que a chuva ia molhando.
Olhou bem para os olhos dela. Queria memorizar...queria resgatar todas as vezes
que tivera a oportunidade de se enxergar dentro dela, de simplesmente enxergá-la...Nunca
mais ia perder aquele olhar, nunca mais ia desperdiçá-la saindo
do elevador...sentada ao computador escrevendo, ajeitando os óculos,
comendo, bocejando, dizendo "olá", tomando café, esperando
a mala na esteira do aeroporto...aqueles fragmentos era tudo o que tinha...Era
tudo o que nunca esqueceria. Nunca.
Melanie encostou sua testa na dele, escorregando até encostar as pontas
dos pés no chão. Fechou os olhos e sorriu ...como se soubesse
exatamente o que ele fazia. Alex capturou seus lábios desejando nunca
esquecer a textura deles quando estavam molhados, como da primeira vez que haviam
se beijado. Segurou seu rosto entre as mãos. Ela passou os braços
ao redor do seu pescoço e sentiu o gosto de sua boca como se fosse a
primeira vez.
Se beijaram profundamente e com urgência como se fosse a última
vez. E como deveria ter sido desde o início.
Ao longe uma buzina tocou.
- Desculpem - eles se soltaram confusoos talvez - mas preciso chegar em Montgomery
ainda hoje...Boa noite seu guarda.
- Boa noite...algum problema aqui?&nbssp;
Alexander lançou um olhar significativo ao motorista torcendo para que
todos os desconhecidos com quem cruzara aquele dia fossem pessoas piedosas.
- P-problema? - ele puxou uma flanela de dentro do painel e começou a
limpar o vidro frontal do ônibus displicentemente - não..não...nenhum
problema...
O policial com seu imenso capuz de chuva permaneceu parado sem o mínimo
de crença de que ia tudo normal.
- E porque esse ônibus está parado? Jáá não
chegam os engarrafamentos de hoje...e o senhor quer provocar mais um... E o
que os senhores estão aqui fora?
- N-nós? N-nós estamos... - Melanie coomeçou a gesticular
freneticamente em busca de uma boa história. Virou-se para Alex com um
olhar reprovador - O que nós estamos fazendo aqui fora??
- Nós estávamos nos beijando, não foi isso? Você
não estava se sentindo bem..estava com enjo...
- Sufocada..
- Sim..Seu policial, ela estava com ennjôos e sufocada..sabe, ela está
grávida. E sabe como são as grávidas... De repente saiu
do ônibus e se sentiu bem novamente - riu dando tapinhas amistosos nas
costas da autoridade - vai entender as mulheres não é? ... aí
a gente acabou se beijando..vai entender.
O motorista pareceu ter sido acometido também por uma crise de risos.
- Vai entender! Eu sei bem como são esssas coisas..a minha Suzan...
- Ok...ok..Já chega - seu olhar passouu de um para o outro inquisidoramente,
finalmente falou após uma pausa - voltem logo para o ônibus! Voltem
logo.
E saiu sinalizando para os veículos que vinham logo atrás para
que passassem logo.
Alex ajudou Melanie a voltar para dentro do ônibus com a mão na
sua cintura.
- Pára com isso...não estou doente! - a voz dela chegou abafada
de dentro do ônibus. Alex subiu os degraus rapidamente aliviado por finalmente
estar num local seco.
- Gente da TV mentirosa... - resmungouu o guarda mandando seguir uns veículos
que diminuíam a velocidade acreditando ser algum acidente ali - Vamos
logo, gente. Isso não é nenhum show não!
- Você não devia ter pego essa chuva -- Melanie tentava secá-lo
com uma toalha de dentro da sua bagagem.
- E muito menos a senhorita!
- E quem foi que te contou que eu estaava grávida? Kevin? O que ele fez?
gritou na hora do "se alguém tem algo contra..."?
AJ riu...
- Eu sei que tipo de minhoquinhas estãão passando pela sua cabecinha
fértil, meu amor...
- M-min Min-minho... - ela passou a essfregar os cabelos dele com mais velocidade.
- Minhoquinhas
- Minhoquinhas. Que minho-minhoquinhass?
Ele se inclinou no banco brincando com uma mexa de cabelo dela.
- Eu adoro quando você gagueja.
- P-pa-pare com isso - ela pegou outraa toalha e jogou em cima dele
- Não precisa ficar nervosa... Eu vim por sua causa... pelo bebê
também..mas eu soube disso depois. Não precisa ficar agindo como
heroína de romance...Eu te amo... eu fugi da igreja.
Ela o olhou sem saber o que dizer. Realmente ficara em dúvida sobre ele
ter ido atrás dela por causa do bebê apenas, por uma responsabilidade
apenas...
- Fugiu? - ia perguntar "e Sarah??", mas perdeu a coragem - E como
me achou?
- Ah! É uma longa história.. .Envolve um cavaleiro e seu cavalo
alado...uma fada madrinha... Envolve uma tempestade...uns vôos cancelados
- ele tomou a toalha da mão dela e começou a secá-la -
envolve você raptando um bebê...
- Eu...Era o que eu achava melhor - diisse segura.
- Ei, ei, ei! - ele a encarou - eu enttendo...agora eu entendo perfeitamente.
Você é uma mulher inteligente e eu sei que faria o melhor para
o nosso filho. Tudo bem que de início eu fiquei com raiva... - ela ia
começar a falar - Mas! Mas... Eu entendi. Eu confio em você. Eu
te amo..eu te amo... Você vai me dar um filho... E eu sou um idiota ..
Melanie sorriu sem graça.
- P-para...
- EU AMO ESSA GAROTA! - levantou-se e gritou para trás da poltrona -
EU AMO!! PODEM PUBLICAR NOS JORNAIS!! "ALEX MCLEAN AMA MELANIE SANTANA".
- Alex!!!
- Senhoras e senhores...eu a amo! Boa noite e desculpem o incômodo desse
humilde bobo.
- Cala a boca aí que eu quero dormir!!! - gritou uma voz rabugenta ao
fundo.
Ela fez com que ele se sentasse... Sentia-se a própria Bridget Jones...Uma
heroína de um romance moderno. Será que alguém mais no
mundo sabia o quanto era bom ser feliz na vida real? Começou a rir sem
saber de que tampando a boca com as mãos. Ele a abraçou...
- Eu descobri sozinho a sua gravidez.<
- Sei...
- Verdade! Mulher de pouca fé...eu li no final de uma fanfic.
***
- Sarah? Sarah? Sarah? Está surda, mullher??
Sarah Martin tomou mais um gole de gim e se olhou para o espelho.
- O que foi? - perguntou ao reflexo doo seu empresário enquanto terminava
de remover a maquiagem com uma pequena esponja.
- Seu filho na linha 3.
Ela tomou mais um gole da bebida e colocou o copo sobre a bancada do espelho
antes de apertar um botão e atender ao aparelho.
- O que foi, amor?... Estou no camarimm, indo pra casa... é claro que
todos amaram, meu amor! A mamãe cantou pra você hoje..... mico?
Até parece que você não gosta!......tá bom, meu homem
miniatura. Te ligo quando eu chegar. Eu vou demorar um pouquinho, mas assim
que chegar eu te ligo, ok?..... Claro..pode deixar. Te amo, filho...... Até.
Ficou olhando algum tempo para o telefone. Depois o colocou de volta na bancada
e passou os dedos pelos cabelos. Então começou a calçar
as luvas.
Um ano...
Pela enésima aquele dia vez agradecia aos céus por ter mandado
seu filho para um colégio inglês dois anos e meio antes. Assim
o garoto ficara preservado do escândalo e da humilhação.
Não suportaria que ele fosse exposto do mesmo modo que ela.
Olhou mais uma vez para o espelho. Nele havia uma foto dela e seu filho, ela
numa apresentação, ela e algumas pessoas do fã clube e
uma de Melanie e Alexander. Estavam abraçados, uma das raras aparições
que fizeram à imprensa.
Observou atentamente aquela cena. Um quarto de decoração simples,
um arranjo de flores amarelas... Como pôde ter sido trocada por aquela...aquela
coisa? Alex estava cego... ficara confuso depois de tanto tempo de vida desregrada,
drogas, bebidas... completamente transtornado. Ficara abalado pela idéia
de ser pai. Como era mesmo o nome do moleque? Não se lembrava. Obrigou-se
a apagá-lo da mente.
Mas nem por isso podia perdoá-lo. Não... a justiça tinha
de ser feita de forma integral. A própria Melanie fora uma vítima,
tudo fora culpa dele.. Mas agora todos teriam de pagar.
Sairam do país...Certamente para evitar a lembrança do escândalo
aos repórteres abutres. Mas Portugal não era suficientemente longe..não
se estivesse...na Suíça, por exemplo. E estava na Suiça.
Abriu uma das gavetas e tirou de lá o revólver. Uma pistola discreta.
Engatilhou e apontou para o seu reflexo no espelho. Depois para a própria
cabeça... Sorriu para si mesma.
Abaixou o braço e posou a arma junto à um porta-jóias com
cuidado. Suspirou e calmamente procurou um isqueiro, acendeu um cigarro. A fumaça
subiu leve e agradavelmente pela saleta.
Iria comemorar aquele aniversário de uma maneira bem especial...
There was a time
When I was so broken hearted
Love wasn’t much of a friend of mine
The tables have turned, yeah
’cause me and them ways have parted
That kind of love was the killin’ kind
Now listen
All I want is someone I can’t resist
I know all I need to know by the way that I got kissed
I was cryin’ when I met you
Now I’m tryin’ to forget you
Love is sweet misery
I was cryin’ just to get you
Now I’m dyin’ cause I let you
Do what you do - down on me
Now there’s not even breathin’ room
Between pleasure and pain
Yeah you cry when we’re makin’ love
Must be one and the same
It’s down on me
Yeah I got to tell you one thing
It’s been on my mind
Girl I gotta say
We’re partners in crime
You got that certain something
What you give to me
Takes my breath away
Now the word out on the street
Is the devil’s in your kiss
If our love goes up in flames
It’s a fire I can’t resist
I was cryin’ when I met you
Now I’m tryin’ to forget you
Your love is sweet misery
I was cryin’ just to get you
Now I’m dyin’ cause I let you
Do what you do to me
’cause what you got inside
Ain’t where your love should stay
Yeah, our love, sweet love, ain’t love
If you give your heart away
I was cryin’ when I met you
Now I’m tryin’ to forget you
Your love is sweet misery
I was cryin’ just to get you
Now I’m dyin’ just to let you
Do what you do what you do down to me,
Baby, baby, baby
I was cryin’ when I met you
Now I’m tryin’ to forget you
Your love is sweet misery
I was cryin’ when I met you
Now I’m dyin’ cause I let you
Do what you do down to , down to, down to, down to
I was cryin’ when I met you
Now I’m dyin’ to forget you
Your love is sweet
I was cryin’ when I met you
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